A pergunta que eu mais ouço é simples: "Thiago, consórcio vale mais a pena que financiamento?". A resposta honesta é: depende de quando você precisa do imóvel. Mas a conta, essa não depende de opinião.
A conta que o banco não mostra na primeira reunião
Vamos usar um exemplo redondo: um imóvel de R$ 300 mil, financiado em 30 anos com juros de 15% ao ano, a taxa que os bancos passaram a praticar agora.
- No sistema Price, a parcela fica perto de R$ 3.570. No fim, você paga cerca de R$ 1,28 milhão.
- No sistema SAC, a primeira parcela passa de R$ 4.340. No fim, o total fica perto de R$ 934 mil.
Ou seja: para ficar com um imóvel de R$ 300 mil, você entrega entre R$ 634 mil e R$ 985 mil só de juros. É o preço de mais dois ou três imóveis iguais.
E no consórcio?
No consórcio não existe juros. Existe taxa de administração, diluída no prazo. Com uma taxa de 22%, a mesma carta de R$ 300 mil custa em torno de R$ 366 mil no total, com parcela perto de R$ 1.830 em 200 meses.
Os números são ilustrativos e os dois lados têm reajuste ao longo do tempo. Mas a diferença de ordem de grandeza não muda: em um você paga juros sobre juros, no outro você paga uma taxa fixa sobre o crédito.
Então por que alguém financia?
Porque o financiamento entrega o imóvel agora. No consórcio, você precisa ser contemplado, por sorteio ou por lance.
Se você precisa sair do aluguel no mês que vem e não tem recurso para lance, o financiamento pode fazer sentido. Se você consegue planejar, mesmo que seja 12 ou 24 meses, o consórcio quase sempre ganha.
O caminho do meio que pouca gente conhece
Existem duas formas de antecipar o uso do crédito sem cair nos juros do banco:
- Estratégia de lance: usar parte do próprio crédito (lance embutido) ou um recurso guardado para aumentar a chance de contemplação nos primeiros meses.
- Carta já contemplada: você assume uma carta que já foi sorteada, paga uma entrada e usa o crédito na hora.
As duas exigem análise caso a caso. É exatamente o que eu faço antes de indicar qualquer caminho.
Como decidir
- Quanto tempo você consegue esperar para usar o crédito?
- Você tem algum recurso para lance?
- O imóvel é para morar, para alugar ou para revender?
Com essas três respostas, a decisão deixa de ser opinião e vira conta.
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